Após a queda do regime de Bashar al-Assad no último domingo (8), Israel intensificou suas ações militares na Síria, ocupando áreas estratégicas. A medida incluiu a criação de uma zona tampão nas proximidades das Colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel desde 1967. De acordo com a ONU, essas ações violam o Acordo de Desengajamento de 1974, que estabelece limites claros para a presença militar na região.
Expansão e justificativas israelenses
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que a ocupação é uma medida temporária para garantir a segurança de Israel. Entre os territórios ocupados está o Monte Hermon, uma área montanhosa de importância estratégica que conecta Israel, Síria e Líbano. Netanyahu também reafirmou que as Colinas de Golã são parte inseparável de Israel, apesar de essa anexação não ser reconhecida pelo direito internacional.
“O controle das Colinas de Golã garante nossa soberania e segurança. A queda de Assad é uma oportunidade para reforçar nossa posição no Oriente Médio”, afirmou Netanyahu, destacando o apoio dos Estados Unidos no reconhecimento da soberania israelense sobre a região desde 2019.
Reações internacionais e críticas da ONU
A ONU condenou a movimentação militar israelense, argumentando que ela desrespeita o acordo firmado em 1974 e agrava as tensões na região. Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral António Guterres, enfatizou que nenhuma atividade militar deveria ocorrer na área de separação.
“Israel e Síria devem respeitar os termos do Acordo de Desengajamento de 1974 para preservar a estabilidade no Golã”, afirmou Dujarric.
Além disso, o Observatório Sírio de Direitos Humanos relatou mais de 300 ataques aéreos israelenses contra infraestruturas militares sírias desde a queda de Assad, aumentando ainda mais a instabilidade no território.
Contexto histórico e importância estratégica
As Colinas de Golã foram ocupadas por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas unilateralmente em 1981, uma ação considerada ilegal pela ONU. A região é de extrema importância estratégica, pois oferece uma visão privilegiada de Damasco, a capital síria, e é uma fonte vital de água para o Rio Jordão.
A ocupação das Colinas também reflete a longa disputa entre Israel e o Eixo da Resistência, que inclui o Irã e o Hezbollah. A queda de Assad enfraquece esse bloco, o que, segundo Netanyahu, reforça a posição de Israel como uma potência regional.
Implicações futuras
O avanço israelense sobre o território sírio reacende tensões internacionais e destaca o descompasso entre ações militares e as resoluções da ONU. Enquanto Israel argumenta que as medidas visam à segurança nacional, a comunidade internacional alerta para o risco de uma escalada de conflitos e a necessidade de soluções diplomáticas para estabilizar a região.