A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, foi agraciada nesta terça-feira (10) com o Prêmio Campeões da Terra, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A honraria, anunciada na sede do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em Nairóbi, celebra sua atuação em defesa da biodiversidade e dos povos indígenas.
“Esse reconhecimento valoriza e dissemina nosso saber. Agradeço ao Pnuma pela premiação e pela parceria nessa trajetória pela preservação da biodiversidade”, declarou Sonia Guajajara.
Liderança global pelo meio ambiente
Sonia Guajajara é uma das seis personalidades selecionadas em 2023 para receber o prêmio, ao lado de Amy Bowers Cordalis, defensora indígena dos EUA; Gabriel Paun, ambientalista romeno; Lu Qi, especialista chinês em reflorestamento; Madhav Gadgil, ecologista indiano; e Sekem, uma iniciativa egípcia de agricultura sustentável. Desde sua criação, em 2005, o prêmio já reconheceu 122 pessoas e organizações.
Para a ministra, o prêmio reforça a responsabilidade indígena na proteção do planeta.
“Nossos modos de vida são baseados no respeito à Mãe Terra e na prevalência dos interesses coletivos. Esse reconhecimento fortalece nossa luta por um futuro sustentável”, afirmou.
Trajetória de ativismo e conquistas
Natural do Maranhão, do povo Guajajara-Tentehar, Sonia Guajajara construiu uma carreira marcada pela defesa dos direitos indígenas e da preservação ambiental. Antes de assumir o Ministério dos Povos Indígenas, liderou entidades como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Ela ganhou destaque internacional ao denunciar violações de direitos indígenas durante a campanha “Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Menos”, que percorreu o Brasil e outros 12 países. Em reconhecimento ao seu trabalho, foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo pela Time em 2022 e, no ano seguinte, figurou entre as 100 mulheres mais inspiradoras pela BBC.
Compromisso com o futuro
O Prêmio Campeões da Terra sublinha a relevância dos saberes indígenas para o enfrentamento da crise ambiental global. A trajetória de Sonia Guajajara reflete não apenas a luta pela preservação da natureza, mas também a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo, fundamentado no respeito às comunidades tradicionais e à biodiversidade.