O Reino Unido confirmou o primeiro caso de gripe aviária em uma ovelha, tornando-se o primeiro registro conhecido dessa infecção na espécie. O episódio foi identificado no norte da Inglaterra, aumentando a preocupação com a propagação do vírus H5N1 entre mamíferos e reacendendo temores sobre possíveis implicações para a saúde pública.
A detecção ocorreu durante uma rotina de monitoramento de animais em uma propriedade localizada em Yorkshire, onde já havia sido confirmada a presença da gripe aviária em aves mantidas em cativeiro. Segundo o governo britânico, a ovelha apresentava sinais de mastite, uma inflamação no tecido mamário, mas não demonstrava outros sintomas clínicos.
Expansão da Gripe Aviária Entre Mamíferos
O vírus H5N1 já infectou diversos mamíferos ao redor do mundo, incluindo ursos, tigres, focas, golfinhos, cães, gatos e até mesmo vacas leiteiras. Nos Estados Unidos, desde março de 2024, um surto tem atingido rebanhos bovinos, elevando a preocupação das autoridades sanitárias.
De acordo com Ed Hutchinson, professor de virologia molecular e celular do MRC-University of Glasgow Centre for Virus Research, o fato de o leite da ovelha também ter testado positivo sugere semelhanças com os casos norte-americanos. Apesar disso, ele destacou que, até o momento, não há evidências de transmissão contínua a partir da ovelha infectada.
Risco para Humanos Ainda é Baixo
Casos de infecção por H5N1 em humanos já foram registrados, variando desde quadros assintomáticos até, em alguns casos, fatais. No entanto, não há indícios de transmissão sustentada entre pessoas.
Diante do cenário, o Ministério de Assuntos Rurais do Reino Unido intensificou a vigilância em locais onde a gripe aviária foi detectada em aves de cativeiro, buscando evitar novas contaminações entre mamíferos.
A Dra. Meera Chand, especialista em infecções emergentes da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido, reforçou que o risco da gripe aviária para a população em geral ainda é muito baixo. “Embora tenhamos registros da infecção em mamíferos, as evidências atuais indicam que o vírus não se espalha facilmente para os seres humanos”, afirmou.
Apesar do alerta, as autoridades consideram o caso isolado, uma vez que a ovelha foi abatida e não foram encontradas novas infecções no restante do rebanho. Entretanto, a vigilância global permanece essencial para evitar possíveis mutações que possam facilitar a transmissão entre diferentes espécies.